sábado, 13 de fevereiro de 2016

Dias atuais I

- A visita

Certa vez, creio que em 2008, avisamos a uns parentes que moram em uma cidade próxima que passaríamos o final de semana lá, coisa que não fazíamos já há algum tempo.

Vez ou outra os recebemos em nossa casa sempre com alegria em revê-los e refeições simples e acomodações, não só por um final de semana, mas por temporadas bem maiores, inclusive para levar ao menos um de seus membros a consultas ou exames médicos, passeios ou visitas à casas de amigos ou familiares residentes em nossa cidade.

Chegamos na casa dos mesmos no sábado, por volta das 14 horas, já almoçados. Fomos recebidos com muita receptividade, boas conversas e as normais demonstrações de carinho. No início da noite fizemos uma compra junto aos nossos anfitriões e decidimos ficar até segunda-feira ao meio dia talvez, afinal era feriado, passaríamos um domingo inteiro tranquilo e feliz, e assim o foi.

Porém, ao amanhecer o dia de segunda-feira, o clima entre eles parece que não era dos melhores, caras fechadas, pouco assunto, vimos que os afetos e saudades já haviam sido devidamente sanados, enfim, um café da manhã com um ar seco, frio e incomodado, após algumas tentativas de nossa parte em continuar falando de coisas agradáveis, retorno zero.

Por volta das 12 horas nenhum sinal de início do preparo do almoço, e nós ali quase os convidando para um almoço fora, porém veio finalmente o aviso nada sutil de que já estava na hora de irmos embora através de um balde de água com sabão jogado bem aos nossos pés com os dizeres: vamos lavar a varanda empoeirada, amanhã a vida seguirá seu curso natural. Houve uma alteração de vozes entre eles e uma conversa que só a eles diziam respeito, como se não estivéssemos lá. 

Entreolhamos disfarçadamente, pegamos nossas coisas com um sorriso meio forçado nos rostos, nos despedimos sem ouvir nenhum pedido de que ficássemos ou de questionamento sobre nossa "repentina" partida, ou pedido de desculpas por suas maneiras, entramos em nosso carro e voltamos pra casa, almoçamos num restaurante de beira estrada. 

Nunca mais voltamos!


Céu matogrossense.



Nenhum comentário:

Postar um comentário