- Um resumo (mais um)
Vivi com meus pais e meus irmãos até os meus 8 ou 9 anos de idade no interior de Goiás.
Na corrutela (pequena cidade) de Rosalândia meus pais se conheceram, estudaram juntos na escola e logo decidiram que constituiriam uma família.
Foi ainda em Rosalândia (que muitos chamavam de Cerradão) que logo se casaram, e tiveram uma linda filhinha, minha irmã, e logo em seguida eu nasci.
Não demorou muito precisaram se mudar por falta de emprego e de condições mínimas de sobrevivência, ainda mais que em seguida ainda tiveram mais dois filhos, meus dois irmãos que foram registrados em cidades próximas (um em Moiporá e outro em Firminópolis).
Não demorou muito precisaram se mudar por falta de emprego e de condições mínimas de sobrevivência, ainda mais que em seguida ainda tiveram mais dois filhos, meus dois irmãos que foram registrados em cidades próximas (um em Moiporá e outro em Firminópolis).
Foi por necessidade que acabamos fazendo o caminho inverso, indo morar na zona rural, onde meu pai conseguiu trabalho alternando a chácara ou fazenda de acordo com o período de arado ou colheita de algum tipo de plantação (café, alho, abacaxi).
Éramos muito pobres mas sempre houve uma casinha de chão batido para morarmos e um fogão de lenha para minha mãe cozinhar para nós, enfim era bom porque havia o que comer, mas o trabalho era duro, o lugar era longe e os filhos precisavam ir para a escola.
Acho que por isso meus pais precisaram ou decidiram retornar para a "cidade".
Assim foi que acabamos indo morar na corrutela de Novo Planalto onde havia alguns parentes paternos, avós, tios, primos.
O que me impressionava na época era o fato de meus avós serem separados, meu avô vivia com outra mulher e minha avó morava sozinha numa casinha nos fundos do quintal de uma das minhas tias.
Mas como era de se esperar, nessa pequena cidade precisamos nos mudar de casa diversas vezes, acho que pelo menos umas 5 ou 6 casas diferentes, sempre as mais simplesinhas e com aluguel mais barato possível. Numa delas funcionava um açougue, em outra um bar, depois meu pais passaram a vender pipoca no carrinho (a doce era em formato de bola, uma delícia). Foi nessa cidade onde eu e minha irmã estudamos o pré-escolar, quando já sabia ler e escrever muito bem, por falta de opção andava à procura de papéis jogados no chão, desde jornais velhos a papéis de balas e rótulos de enlatados vendidos no armazém de um tio, era quase uma aventura encontrar variedades de leituras naquela época.
Quando parecia que terminaríamos por lá mesmo nossos dias, eis que por falta de trabalho para meu pai precisamos nos mudar para outra cidade próxima (Turvânia).
Numa fazenda (que não era dela) bem pertinho de Turvânia morava minha avó materna, meu avô já era falecido nessa época, meus tios e tias já haviam se casado, com exceção de uma tia e um tio caçulas que moravam com minha avó, eles tinham quintal, galinhas e um paiol.
Meu pai trabalhava de mascate, vendia roupas e tecidos de porta em porta, principalmente nas fazendas e chácaras da redondeza, ia de bicicleta, morávamos em uma casa que na minha memória parecia ser grande e tinha piso de cimento queimado.
Chegou o dia do aniversário da cidade, um dia festivo, foi montado um circo num local que acho que era o campo de futebol e meus pais nos levaram. Porém lá chegando meu pai foi comprar algodão doce ou pipoca, mas minha mãe que já andava desconfiada dele foi atrás, foi assim que ela o pegou em flagrante com uma mulher, eles tiveram um briga feia, e ela disse que não bastasse ele traí-la com uma vizinha da nossa rua, agora mais essa? Imediatamente voltamos todos para casa ouvindo a briga deles, ela chorava muito e gritava que não suportava mais, não me recordo muito bem se houve agressões por isso prefiro não entrar nesse mérito, me lembro que nessa mesma noite ela mandou ele ir embora e ele se foi, foi de ônibus deixando para trás sua família e sua bicicleta.
Isso foi bem antes de eu completar meus 10 anos, pensei que terminaríamos lá nossos dias, mas assim que meus pais se separaram nossa vida nunca mais seria mesma, nunca mais.
Rosalândia - GO
